Três leões morrem devido a suspeita de insolação num jardim zoológico de Tóquio

Três leões morrem devido a suspeita de insolação num jardim zoológico de Tóquio

Três leões de um jardim zoológico de Tóquio morreram por suspeita de insolação e outros estão a receber tratamento, enquanto os grandes felinos sofrem com os elevados níveis de humidade do Japão.

Cristina Sambado - RTP / Adicionar como fonte informativa
Tokyo Zoological Park Society - Handout via Reuters

O Japão enfrentou o verão mais quente de que há registo no ano passado e algumas zonas do país atingiram os 40°C nas últimas semanas, o que se enquadra na nova designação de "dia cruelmente quente".

Desde meados de julho, 10 dos 16 leões do jardim zoológico de Tama, a oeste da capital, sofreram de "perda de apetite e diminuição da atividade", e três leoas morreram, informou o zoo em comunicado.

Uma fêmea de três anos morreu a 28 de julho, outra, de 11 anos, morreu na sexta-feira, e a terceira, de 15 anos, morreu no domingo. Segundo o zoo, “a causa da morte pode ter sido insolação”, uma vez que a desidratação e a falência múltipla de órgãos foram observadas por um veterinário.

“Embora se acredite que os leões são resistentes ao calor, os tratadores do zoo têm reforçado as medidas de proteção para lidar com o calor intenso do verão japonês nos últimos anos. O calor aqui é acompanhado de humidade elevada; isto é diferente do calor com ar seco em África”,
disse um porta-voz do zoo.

“Mas este verão, o calor chegou repentinamente após o fim da estação das chuvas”, no final de julho, acrescentaram.
O zoo informou que vários leões ainda estão a receber tratamento.
“Estamos a reforçar as medidas contra o calor, pulverizando água, melhorando a ventilação e instalando aparelhos de ar condicionado pontuais.”

Por sua vez, a organização de defesa dos direitos dos animais PETA manifestou a sua indignação com a situação.

"Mugi, Ichigo e Luena nasceram, viveram e morreram em cativeiro, privadas de tudo o que dá sentido à vida de um animal selvagem. Os jardins zoológicos não são centros de resgate ou santuários; existem para exibir animais com fins lucrativos, não para priorizar as necessidades dos animais", afirmou a PETA em comunicado.

Cerca de 18.600 pessoas no Japão foram hospitalizadas por insolação entre 20 e 26 de julho, sendo que 45 delas chegaram mortas, segundo a agência de combate a incêndios e gestão de catástrofes.


As autoridades ajustaram as datas de vários eventos culturais e desportivos nos últimos anos devido ao calor, incluindo o World Cosplay Summit em Nagoya, que realizou a sua última edição de verão no passado fim de semana.
O Japão regista anualmente cerca de 1.300 mortes relacionadas com o calor e pretende reduzir este número para metade até 2030. 

A temperatura mais elevada alguma vez registada no país foi de 41,8°C em agosto do ano passado, em Isesaki, a norte de Tóquio.

Os cientistas afirmam que as alterações climáticas causadas pela ação humana estão a aumentar a frequência e a intensidade dos eventos de calor extremo no Japão e noutros locais. A Coreia do Sul está atualmente sob uma onda de calor, com o aumento das temperaturas de verão associado a pelo menos 16 mortes.

c/agências 
Tópicos
PUB